Com mais de um século de registros, bebida tradicional do município preserva saberes transmitidos entre gerações e tem seu modo de fazer reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial
A história da aguardente de rapadura em Paracatu atravessa gerações. Há mais de um século, a bebida é produzida no município de forma artesanal, com a rapadura como um dos elementos que caracterizam seu modo de fazer.
Documentos históricos mostram que a produção e a comercialização já movimentavam o município no início do século XX. Em 1916, por exemplo, foram comercializados 15.680 litros de aguardente em Paracatu. Anos depois, em 1920, havia 20 produtores e, em 1947, 12 fábricas cadastradas.
Entre as produções que fazem parte dessa história está a da Fazenda Pouso Alegre, onde eram produzidas bebidas como a Paracatulina, a Segura o Tombo e a Creolinha. Segundo o levantamento histórico, garrafas dessas bebidas indicam o uso da rapadura em sua fabricação.
Ao longo do tempo, a produção artesanal continuou sendo mantida por produtores do município. Na segunda metade do século XX, a “Pinga do Seu Joca” marcou esse período. Já no início do século XXI, a “Sô Joca” deu continuidade à tradição, mantendo características do modo artesanal de produção.
O modo de fazer que virou patrimônio
Por trás da bebida, existe um conjunto de conhecimentos e técnicas preservados ao longo do tempo. O aprendizado, transmitido entre produtores, famílias, mestres e aprendizes, ajudou a manter vivo um modo de fazer que atravessou o século XX e chegou aos dias atuais.
O registro do modo de fazer aguardente de rapadura como Patrimônio Cultural Imaterial de Paracatu surgiu a partir de uma demanda dos próprios produtores por meio da Associação de Produtores de Cachaça de Alambique e Aguardente de Rapadura de Paracatu, que buscavam ampliar o reconhecimento da bebida e abrir novas possibilidades de mercado. Em dezembro de 2024, o registro foi aprovado pelo Conselho Municipal de Patrimônio Histórico e Artístico Cultural (COMPHAP).
O reconhecimento valoriza os saberes, técnicas e práticas relacionados à produção artesanal. Como parte das ações de preservação, a Secretaria Municipal de Cultura, em parceria com o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico Cultural (IEPHA), elaborou um plano de salvaguarda para valorizar os produtores e contribuir para a continuidade da tradição.
Tradição que também chega ao turismo
A aguardente de rapadura também vem ganhando espaço nas ações de valorização cultural e turística de Paracatu. Na última edição da Expo Paracatu, realizada neste ano, a bebida foi apresentada para degustação no estande da Casa Paracatu. Em agosto, esteve entre os destaques da participação do município na Minas Next Travel 2026, ao lado das tradicionais quitandas, do afroturismo e de outros elementos da cultura e da gastronomia local. A programação de divulgação da bebida também prevê a participação em outros grandes eventos fora de Minas Gerais ainda neste ano.
Mais do que divulgar um produto, essas iniciativas ajudam a apresentar aos visitantes uma tradição que reúne sabores, técnicas, memórias e personagens que fazem parte da história de Paracatu.
Dia Nacional da Cachaça
Celebrado em 13 de setembro, o Dia Nacional da Cachaça é também uma oportunidade para conhecer as diferentes histórias que envolvem a produção de bebidas tradicionais no país. Em Paracatu, a data ganha um significado particular diante de uma tradição que possui características próprias e mais de um século de registros.
Da Paracatulina, passando pela Segura o Tombo e pela Creolinha, até chegar à Pinga do Seu Joca e à Sô Joca, diferentes nomes ajudam a contar a trajetória de uma produção que atravessou gerações.
Hoje reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial, a aguardente de rapadura representa parte da memória de Paracatu e mantém vivos conhecimentos construídos
Fonte: Prefeitura de Paracatu