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07 ABR 2026
CULTURA
DOCUMENTÁRIO SOBRE PRIMEIRO CLUBE SOCIAL FUNDADO POR NEGROS EM PARACATU SERÁ LANÇADO DIA 10 DE ABRIL
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"Queremos dançar o Carnaval” é um filme longa-metragem que resgata a história da Sociedade Operária Paracatuense (SOP), conhecida como “Saca Rolha”, clube social criado em 1950 por um grupo de amigos e músicos negros da cidade de Paracatu, no interior de Minas Gerais
O lançamento do documentário “Queremos dançar o Carnaval - A história de um clube negro do Brasil” será realizado no próximo dia 10 abril (sexta-feira), às 19h30, com uma sessão gratuita e ao ar livre na Praça do Santana, em Paracatu, Minas Gerais.
 
O filme, produzido pelo Observatório de Comunicação (Lei.A), reconstrói a história da Sociedade Operária Paracatuense (SOP), clube popularmente conhecido como “Saca Rolha”, a partir de depoimentos de familiares dos fundadores, antigos frequentadores, moradores do bairro Santana, juristas e historiadores, além de imagens inéditas da cidade de Paracatu nas décadas de 1940 e 1950.
 
O longa-metragem (com 62 minutos de duração) traz ainda a participação dos músicos locais Adailton Silva (Didi), Enos Araújo, Silas Joabe, Benicio Souza e Jean Sousa, com interpretações de algumas canções importantes da época, para contar a história do grupo de amigos que em 1950 deu origem ao primeiro clube social fundado por negros na cidade.
 
Quem comparecer à Praça do Santana no sábado poderá também ver na tela do cinema o “Coral Stella Maris”, que, além de manter viva a tradição do canto coral, também carrega a missão de interpretar músicas compostas por paracatuenses. Durante as gravações, o grupo executou o hino da Sociedade Operária Paracatuense. “Queremos dançar o carnaval” é um trecho da música que embalou muitos foliões e foliãs e acabou batizando o nome do filme.
 
 
SOBRE O SACA ROLHA
A Sociedade Operária Paracatuense funcionou na praça do bairro Santana de 1950 até 1958, quando do falecimento de seu idealizador, Luiz Gouveia Damasceno, o Luiz de Darilo, músico autodidata e figura central na vida cultural de Paracatu. Mesmo com pouco tempo de vida, o “Saca Rolha” ainda permanece na memória e lembrança de muitas pessoas na cidade, porém, os mais jovens praticamente desconhecem a história de sua criação, seus frequentadores e importância daquele lugar que embalou festa e luta.
 
Imagens inéditas de Paracatu nas décadas de 1940 e 1950, relatos fortes, muita música e uma emocionante história de superação de uma menina negra que vendia pipoca estão no enredo do filme documentário, que também é um chamado à reflexão de como o racismo perdurou no Brasil mesmo após a Abolição da Escravidão, em 1888.
 
Fruto da amizade de um grupo de amigos para criar em Paracatu um espaço de convivência para toda a sociedade, o “Saca Rolha” surgiu em uma época na qual muitos espaços de convivência social ainda eram negados às pessoas negras, mesmo que de forma velada. A partir da vontade de Luiz de Darilo, junto a outros personagens importantes como José Gouveia Damasceno (Zé Pipoqueiro), Jacinta Pereira da Silva, Georgina Doceira e José Alves Meireles (Zé de Leno), nasceu a Sociedade Operária Paracatuense.
 
Criado como um gesto de resistência e integração social, o “Saca Rolha” marcou a história de Minas Gerais e do Brasil durante os seus oito anos de funcionamento na Praça do Santana (1950-58). Por quase uma década, o local foi referência de lazer para a população negra e, consequentemente, reduto da música, da cultura e da celebração e igualdade racial ao atrair frequentadores de todas as idades, raças e classes. Nos bailes de sábado, Luiz de Darilo e sua banda animavam a comunidade com forrós, marchinhas e serestas, reunindo moradores de diferentes bairros e origens. Sanfoneiro que tocou para Juscelino Kubitschek e com Luiz Gonzaga, Luiz pedia que os negros se vestissem bem para os bailes no Saca Rolha, como forma de aumentar a autoestima deles.
 
IMPORTÂNCIA SIMBÓLICA, SOCIAL E CULTURAL
A filha de Luiz, Amélia Gouveia Damasceno, hoje com 86 anos, lembra-se da animação das festas e da presença constante de pessoas vindas de toda a região. “No SOP não tinha preto nem branco, todos eram iguais”, conta Amélia, que é uma das personagens do filme a resgatar um pouco da história do clube.
 
Um dos objetivos do documentário Queremos dançar o Carnavalé, também, por meio de uma pesquisa histórica e de depoimento de estudiosos sobre o racismo no Brasil, recuperar a importância simbólica, social e cultural dos clubes negros do Brasil, como foi a SOP.
 
“Usar a arte - no caso o cinema - para falar de uma questão tão dolorosa e urgente, como é a discriminação racial, é um modo de trazer mais e mais gente, de todas as raças, para essa luta por reparação histórica em relação à população negra do Brasil. Não se trata de apontar dedos, mas sim de ampliar a conscientização para que esses tipos de violência e apagamentos não se repitam”, destaca o diretor do filme, Gustavo Nolasco.
 
O documentário tem produção do Observatório de Comunicação (Lei.A), uma entidade da sociedade civil que, desde 2016, desenvolve projetos em parceria com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), nos quais trabalha a comunicação como ferramenta de engajamento na defesa dos direitos difusos e coletivos.
 
O projeto “Sociedade Operária Paracatuense: um resgate à sua história” tem a parceria da Prefeitura de Paracatu, por meio das secretarias de Cultura e Turismo; apoio do MPMG e foi viabilizado com recursos de medidas compensatórias, via Plataforma Semente.
 
A promotora de Justiça do MPMG, Taís Rachel Alves Trindade, ressalta que o documentário é uma forma de resgatar a história de um movimento que resistiu e enfrentou a discriminação sofrida pelos descendentes de escravizados de Minas Gerais. “Contar essa história evita o apagamento dessa memória coletiva e fortalece a identidade e a cultura do povo de paracatuense”, afirma Thaís, ao lembrar também que, embora formalmente liberta, a população negra do Brasil sempre continuou sofrendo diversos mecanismos de exclusão social, como aconteceu com os clubes sociais e recreativos.
 
“A criação do Saca Rolha foi uma resposta de afirmação, de resistência contra toda essa opressão sofrida. Assim, registrar, contar essa história, ouvindo as pessoas que dela participaram ativamente, permite que a comunidade se veja retratada de uma forma que assegure sua ancestralidade, que assegure com potência toda a história pulsante e viva de Paracatu”, destaca.
 
RESUMO - O documentário resgata a história da Sociedade Operária Paracatuense (SOP), o “Saca Rolha”,  clube fundado em 1950 pelo músico Luiz de Darilo como opção para a população negra em Paracatu (MG). Criado em um tempo de segregação, o local se tornou um espaço de convivência e celebração, onde a música e o encontro afirmavam igualdade, integração e pertencimento. O filme revisita essa memória por meio de depoimentos, imagens e lembranças de uma cidade que aprendeu a dançar entre fronteiras.
 
SERVIÇO
Documentário: “Queremos dançar o carnaval - A história de um clube negro do Brasil”
Lançamento: 10 de abril (sexta-feira)
Horário: 19h30
Local: Praça do Santana - Paracatu/MG
Ingressos: Exibição ao ar livre com entrada gratuita
Realização: Observatório de Comunicação (Lei.A)
 
 
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